O Departamento de Estado dos Estados Unidos tem se mostrado cauteloso ao lidar com o tema do Pix, negando que ele seja alvo inicial das sanções impostas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). A porta-voz Amanda Roberson esclareceu em entrevista à Revista Oeste que a pressão americana concentra-se na identificação de indivíduos e entidades que forneçam suporte logístico ou financeiro às organizações criminosas, enfatizando crucialmente o elemento intencionalidade para determinar qualquer responsabilização.
A complexa situação financeira brasileira é vista com atenção pelos órgãos norte-americanos, mas sem receios de uma intervenção militar direta decorrente da classificação das facções como terroristas estrangeiras – algo que a lei americana proíbe explicitamente. Segundo Roberson, o setor bancário brasileiro possui um alto grau de sofisticação e compreende as obrigações legais para cumprir com regulamentações norte-americanas. A colaboração entre Brasil e EUA é vista como essencial, dada a longa história de parceria nas áreas do comércio, tecnologia e segurança.
A entrevista à Revista Oeste revelou que o PCC e o CV são monitorados em cada um dos 50 estados americanos, integrando uma lista de 17 organizações terroristas estrangeiras no hemisfério ocidental identificadas pelos EUA. A funcionária negou qualquer influência do senador Flávio Bolsonaro nas decisões tomadas pelo governo Trump durante a reunião na Casa Branca ocorrida em 26 de maio – um gesto que serviu para acalmar temores sobre possíveis pressões externas relacionadas ao Pix e à atuação das facções criminosas.
A postura cautelosa dos Estados Unidos, expressa por Amanda Roberson, reflete uma avaliação da complexidade do cenário financeiro brasileiro na luta contra o crime organizado. A decisão de classificar as organizações terroristas estrangeiras foi tomada pelo governo Trump independentemente de críticas e manifestações públicas direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como é esperado em um ambiente político internacional, segundo a porta-voz.









