O orgulho da produção nacional está sendo desperdiçado no Brasil. Essa é a constatação feita pelo ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que ironicamente comparou a falta de valorização do agronegócio brasileiro com a devoção europeia por seus produtos agrícolas emblemáticos – o presunto parma, champanhe francês e batata alemã. Em entrevista ao programa Arena Oeste, apresentado por Adalberto Piotto, Rodrigues expôs uma realidade preocupante: os brasileiros desconhecem ou não compreendem plenamente o esforço monumental que sustenta a produção de alimentos no país.
Segundo a Revista Oeste, o ex-ministro salientou um contraste gritante entre as culturas europeias e nossa. Enquanto na Europa o reconhecimento do trabalho árduo dos agricultores é visceral – associado à garantia da alimentação em momentos críticos como os invernos –, aqui vemos uma percepção superficial sobre a agricultura, reduzida frequentemente a uma atividade fácil ou banal. Rodrigues enfatizou que “a agricultura nos países europeus teve de ser feita em seis meses para garantir a vida dos cidadãos”, um argumento claro contra o descaso com esse setor no Brasil.
O engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues possui mais do que conhecimento técnico sobre o assunto: ele foi peça fundamental na construção da base produtiva nacional, tendo liderado a Secretaria Agricultura de São Paulo entre 1993 e 2003, além de ter desempenhado um papel crucial na fundação da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag) e da feira Agrishow. Sua trajetória profissional, que se inicia em 1965 com o diploma pela Esalq, demonstra uma dedicação incansável ao setor agrícola desde os primórdios do desenvolvimento brasileiro.
Em um país que há cinquenta anos importava grande parte de seu alimento – cenário drasticamente alterado graças à criação da Embrapa e sua metodologia inovadora – a safra recorde prevista para 2025/2026, com mais de 350 milhões de toneladas colhidas (incluindo os impressionantes 180 milhões produzidos pela soja), é um testemunho dessa transformação. A capacidade do Brasil em alimentar o mundo, impulsionada por ciência e tecnologia desenvolvida localmente – como demonstrado pelo trabalho da Embrapa –, merece reconhecimento, mas a falta de valorização persiste, gerando questionamentos sobre nossa postura diante desse orgulho inegável.









