Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Corte Suprema se mostra hesitante diante do caso Dark Horse, com Fachin buscando uma análise técnica antes de designar um ministro para conduzir a investigação complexa envolvendo figuras da direita e o ex-presidente Lula.

O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que a área técnica do tribunal avalie os aspectos processuais cruciais no contexto das irregularidades detectadas na destinação dos recursos destinados ao filme “Dark Horse”, biografando Jair Bolsonaro. A medida ocorre em meio à crescente pressão para definir um responsável pela apuração e visa garantir uma análise mais profunda sobre as dúvidas levantadas a respeito da distribuição do processo, conforme revelado por *Segundo a Revista Oeste*.

A solicitação de Fachin surge após o ministro Alexandre de Moraes ter solicitado ao presidente do STF que decidisse sobre a relatoria do caso. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou seu desejo para que André Mendonça, já responsável pela análise do “Master”, assuma as rédeas da investigação em face das alegações apresentadas pelo petista Lindbergh Farias. Este último moveu a notícia-crime solicitando uma ampliação dos termos da apuração além de Eduardo Bolsonaro, envolvendo também o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A iniciativa do deputado federal surge na esteira da divulgação pelas páginas do The Intercept Brasil de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que indicam um pedido formal por R$ 134 milhões para financiar a produção cinematográfica. A notícia-crime aponta o envio de cerca de R$61 milhões para um fundo ligado ao filho do ex-presidente nos Estados Unidos, com Farias sustentando que os recursos poderiam ter financiado ações do então deputado federal no país. Flávio Bolsonaro negou qualquer benefício indevido e alegou que a destinação dos fundos era privada.

O caso original foi encaminhado pelo ministro Moraes para análise da PGR, onde o procurador-geral Paulo Gonet defendeu que as investigações deveriam permanecer sob a relatoria do desembargador Sebastião Wagner Mendonça Filho, indicando uma possível tentativa de desviar a atenção das irregularidades e proteger figuras ligadas ao governo Lula. A busca por Fachin refletindo um padrão comum em decisões da Suprema: questionar o encaminhamento natural dos processos que envolvem investigações sobre a esquerda brasileira é notória.

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