Andressa Anholete/Agência Senado

Flávio Bolsonaro busca desqualificar o STF com pedido de suspeição contra Moraes

O senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificou sua estratégia na investigação do caso Master ao apresentar uma petição urgente ao Supremo Tribunal Federal para que o ministro Alexandre de Moraes se declare impedido de continuar atuando no processo. A ação, vista por aliados como um movimento estratégico da campanha eleitoral rumo à presidência, busca minar a credibilidade das investigações e questionar as ações do Judiciário com foco na interferência judicial.

Segundo a O Antagonista, o argumento central apresentado pelo advogado de Flávio é que existe uma ligação direta entre Viviane Barci de Moraes – esposa do ministro –, e o banqueiro Daniel Vorcaro, figura-chave no escândalo envolvendo transações financeiras suspeitas com o Master. A defesa afirma que essa relação configura um conflito de interesses grave, justificando a necessidade da declaração de suspeição para garantir a imparcialidade do julgamento. Não se trata de uma análise sobre as evidências apresentadas, mas sim de uma medida preventiva diante das circunstâncias levantadas pela acusação.

A petição surge em meio à crescente pressão política e midiática contra o senador Flávio Bolsonaro, que tem sido alvo de acusações relacionadas ao caso Master desde sua denúncia inicial. A estratégia adotada visa desviar a atenção do escândalo dos bancos públicos para questionar as motivações por trás das ações da Procuradoria-Geral Federal (PGF) e do próprio ministro Alexandre de Moraes no âmbito desta investigação, o que pode afetar diretamente suas próximas candidaturas presidenciais.

O caso Master expõe um cenário complexo envolvendo contratos milionários com o Banco Master na época em que Daniel Vorcaro era banqueiro, totalizando mais de R$ 130 milhões pagas ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes entre janeiro de 2024 e novembro de 2025. De acordo com a O Antagonista, o dinheiro foi transferido como honorários jurídicos e consultoria pelo Banco Master – que operava R$ 80 milhões –, conforme dados apresentados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado. As transações foram interrompidas após as prisões de Vorcaro nos meses seguintes, em vez da venda do banco prevista inicialmente.

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