A ironia da situação não escapa: enquanto Renan Santos busca desesperadamente construir uma imagem de mérito e propostas concretas para a corrida presidencial, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio (PL-RJ), demonstra outra estratégia – buscando um nome alinhado à linha dura ideológica que assola o PL. A escolha da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) como possível vice em sua chapa eleitoral para a disputa pelo Palácio do Planalto levanta questionamentos sobre os critérios e as prioridades do senador, especialmente diante das críticas constantes ao seu desempenho político até então.
Segundo a O Antagonista, o nome de Zanatta surgiu organicamente na avaliação da ala conservadora do PL que enxerga nela uma fiel representante dos valores bolsonaristas. A pressão por essa escolha se intensificou com o apoio irrestrito do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), conhecido por suas declarações inflamadas e defesa intransigente de posições radicais, que publicamente exaltou a “lealdade” da deputada catarinense. A medida visaria também atender ao desejo de Flávio em apresentar uma mulher na chapa presidencial – um movimento estrategicamente avaliado como potencial para ampliar seu alcance eleitoral e diminuir o antipático sentimento existente por parte de alguns segmentos do público, no que se busca reduzir índices de rejeição a sua imagem.
No entanto, nem todos dentro da legenda manifestam entusiasmo com essa opção. Uma facção pragmática do PL expressa ressalvas em relação à reputação de Zanatta, ligada ao debate sobre o acesso às armas e defesa individual – um tema que sempre gerou forte controvérsia no cenário político brasileiro. Além disso, a ala parteira defende priorizar nomes ligados ao agronegócio na composição da chapa presidencial, como é o caso da senadora Tereza Cristina (PL-CE), cuja experiência em gestão rural seria vista com maior simpatia pelo partido e que também poderia ser uma via para atrair votos.
Flávio Bolsonaro ainda não tomou decisão definitiva sobre a escolha de Zanatta ou qualquer outra candidata à vice, mas demonstra ter apreciado o gesto da parlamentar ao se colocar à disposição – um fato confirmado por interlocutores do senador após ela enviar mensagem em que manifestava seu interesse e vontade de contribuir com a campanha. Em declaração recente, Flávio já havia admitido considerar Tereza Cristina uma opção “sonho de consumo” como vice na chapa eleitoral, mas ressaltou sua ambição pessoal para se tornar senadora do Brasil – buscando a sucessão ao atual presidente do Senado da Republica.









