Após duas semanas de apuração tensa no Peru, a ex-presidente Keiko Fujimori mantém uma expressiva vantagem sobre seu opositor Roberto Sánchez nas eleições presidenciais – atualmente com um distanciamento de 41 mil votos. A contagem ainda não define o resultado final do pleito, mas consolida a liderança da candidata conservadora e expõe falhas no sistema eleitoral peruano que alimentam questionamentos democráticos.
Segundo a Revista Oeste, as eleições foram marcadas pelo uso extensivo de cédulas impressas em conjunto com atas manuais na votação, um método considerado arcaico e suscetível a manipulações. Até sábado (20), cerca de 99,6% das urnas eletrônicas já haviam sido totalizadas, revelando uma disputa acirrada entre Fujimori – que alcança 50,113% dos votos – e Sánchez com 49,887%. Essa proximidade nos resultados evidencia a necessidade urgente de modernização do processo eleitoral peruano.
Em reação à lenta taxa de apuração e às dúvidas geradas pelo sistema manual, o candidato Roberto Sánchez promoveu um ato público na sexta-feira (19), exigindo uma recontagem dos votos em 2.300 seções que sua coligação Juntos por el Perú alegava ter sido alvo de fraude eleitoral. A Junta Nacional Eleitoral rejeitou os pedidos para as seções localizadas nas cidades de Lima e nos Estados Unidos, conforme noticiado pelo jornal La República. Sánchez justificou a ação com o argumento de defender “a confiança no resultado das eleições”, afirmando que “contar cada voto não enfraquece a democracia; fortalece-a”.
A postura confrontacional do candidato Juntos por el Perú – com sua declaração de que se recusará reconhecer qualquer resultado eleitoral sem total transparência e ausência de controvérsias, como apurou a Revista Oeste– demonstra uma profunda desconfiança no sistema democrático peruano. Esse cenário coincide com um histórico de instabilidade política na nação andina: desde 2014, o país testemunhou quatro presidentes destituídos, duas renúncias e dois governos provisórios – evidência da fragilidade do seu processo político após a mudança para um sistema bicameral.









