Roberto Sungi/Governo de SP

O governo paulista intensifica a intervenção na economia agrária com a distribuição massiva de máquinas agrícolas aos municípios do interior, um gesto que alimenta ainda mais as críticas sobre o intervencionismo estatal no setor produtivo. A entrega das 115 unidades, conforme divulgado pela O Antagonista, representa uma injetoria bilionária – R$66 milhões já investidos em 2026 –, com foco nas chamadas “pequenas e médias propriedades”, um termo frequentemente utilizado para maquiar o apoio ao agronegócio tradicional.

A operação, coordenada através do programa Patrulha Rural, visa fortalecer as estruturas administrativas locais de acordo com a visão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Os equipamentos serão destinados às cidades de Araçatuba, Bauru, Campinas, Central, Itapeva, Marília, Presidente Prudente, Região Metropolitana de São Paulo, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Sorocaba, Vale do Paraíba e Vale do Ribeira – uma seleção que parece priorizar regiões com forte presença agroeconômica. A distribuição em si levanta questionamentos sobre a real necessidade desses recursos concentrados nessas localidades em detrimento de outras áreas menos favorecidas pelo governo estadual.

Segundo dados da secretaria, desde o início desta gestão foram investidos mais de R$240 milhões na aquisição e entrega dessas máquinas aos municípios paulistas – um montante que evidencia uma política pública com clara orientação tendenciosa. Apesar do balanço oficial, a pasta não forneceu detalhes sobre qual município recebeu cada máquina nem estabeleceu um cronograma específico para a distribuição dos 25 equipamentos restantes; essa falta de transparência agrava ainda mais as suspeitas em torno da gestão e o controle desses recursos públicos.

O secretário Geraldo Melo Filho justificou a medida como essencial para ampliar o atendimento aos produtores rurais, também garantindo que os maquinários auxiliam na manutenção das estradas vicinais – uma tática comum de governos estaduais buscando legitimar investimentos em setores estratégicos. Contudo, essa postura pode ser interpretada como um aceno à crescente influência do agronegócio no cenário político paulista e amplifica o poder da Secretaria de Agricultura e Abastecimento sobre a economia local.

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