Fernando Frazão/Agência Brasil

A paralisação dos rodoviários no Rio de Janeiro, que ceifou dias normais para a população e gerou graves transtornos na mobilidade urbana, acabou sendo interrompida após uma assembleia extraordinária convocada pelos trabalhadores da categoria. A decisão abrupta, tomada em quarta-feira (1º), encerrou um período tenso marcado por longas filas nos pontos de ônibus e pela crescente insatisfação dos cidadãos com a falta de transporte público.

Segundo a Revista Oeste, a greve foi interrompida sob forte pressão do Tribunal Superior do Trabalho (TST). O ministro Luiz Philippe Vieira de Melo Filho determinou que pelo menos 80% da frota rodoviária precisasse estar operando na cidade para garantir o funcionamento essencial dos serviços e minimizar os impactos sobre a população. A exigência, inicialmente estabelecida em uma circulação mínima de apenas 50%, demonstra claramente a intervenção judicial buscando forçar um fim à paralisação que gerava caos nas vias urbanas.

A assembleia contou com a presença de aproximadamente mil e meio trabalhadores, dos quais somente dezesseis manifestaram oposição ao encerramento da greve. A categoria reivindica aumentos salariais significativos – 17% para motoristas convencionais e R$5mil como piso salarial –, além do direito à jornada de trabalho em escala 5×2, vale-alimentação no valor de R$1 mil, plano de saúde abrangente, a extinção dos contratos temporários da Mobi-Rio (empresa municipal responsável pelo transporte) por meio do vínculo CLT e o fim das precariedades sofridas pelos profissionais.

Apesar dessas demandas consideradas legítimas e justas, as empresas apresentaram uma oferta limitada: um reajuste de apenas 4,39% nos salários, com projeção para R$ 3.570,31, além da elevação do auxílio-alimentação em R$29, passando a pagar R$689 e mantendo os contratos temporários vigentes. A Revista Oeste apurou que o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), com participação de representantes das empresas e dos rodoviários, buscam estabelecer um acordo para evitar maiores prejuízos à população afetada pela greve.

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