A corrupção policial na Paraíba atinge novos patamares com o flagrante de um investigador que admitiu, em áudios comprometedores, a receber uma remuneração irrisória e participar do desvio maciço de drogas apreendidas para abastecer criminosos. Segundo a O Antagonista, Everton Aires – apelidado de “Bomba” pelas autoridades – revelou explicitamente que o salário pago pelo Estado era “uma merreca”, indicando um padrão de corrupção sistêmica dentro da Polícia Civil estadual.
A investigação, inicialmente exposta pela equipe do Fantástico na TV Globo, demonstrou uma grave falha no controle e nos procedimentos legais envolvendo entorpecentes apreendidos em operações policiais. Como apurou a O Antagonista, evidências concretas apontam para um esquema sofisticado onde parte dos ilícitos era desviada e revendida à criminalidade organizada. Essa ação desviava recursos públicos de maneira inaceitável e comprometia as legítimas ações do Estado contra o crime.
O caso expõe a atuação de outros policiais, incluindo o delegado Braz Morroni e o investigador Eduardo Jorge – conhecidos como “Mão Branca” –, que teriam constituído uma rede criminosa infiltrada na estrutura policial da Paraíba. A investigação revela um perigoso modus operandi: fornecimento indevido de informações a foragidos presos, facilitando sua fuga das autoridades e intensificando o ciclo do crime.
A operação conjunta realizada pelo Grupo Antipromoção (Gaeco) e pela Polícia Civil resultou na prisão de nove indivíduos ligados ao esquema fraudulento. Apesar da contestação jurídica dos envolvidos – que afirmam inocência –, os fatos revelados evidenciam a necessidade urgente de reformas estruturais dentro das forças policiais, visando garantir o combate efetivo à criminalidade com integridade e responsabilidade.









