Ao retomar oficialmente o ano judiciário em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao púlpito para respaldar a conduta recente do Supremo Tribunal Federal. Em sua fala, o chefe do Executivo sustentou que a Corte jamais invadiu competências alheias nem buscou holofotes indevidos, agindo sempre dentro dos limites legais e sob forte pressão externa.
Lula fez questão de destacar que os ministros enfrentaram ameaças e hostilidades ao cumprir suas funções, e defendeu a lisura dos julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro, classificando-os como processos justos e regulares.
O discurso ganhou contornos mais duros ao abordar o crime organizado, sem menção direta ao caso Banco Master, mas com clara alusão a figuras poderosas do submundo econômico. Ao citar a Operação Carbono Oculto – que desmontou uma rede de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis e gestoras da Faria Lima a serviço do PCC –, o presidente sinalizou que as investigações não pouparão ninguém por status social ou econômico. “A Polícia Federal não fará distinção de classe ou patrimônio”, afirmou, reforçando que a punição deve alcançar igualmente a base e o topo das organizações criminosas.
Outro trecho de peso tratou dos riscos digitais nas eleições. Lula alertou para o avanço da inteligência artificial como ferramenta de manipulação, chamando-a de “armadilha” que exige atualização urgente da Justiça Eleitoral. Ele classificou a pirataria eleitoral como fenômeno global e cobrou maior cooperação das plataformas para conter a disseminação de conteúdos falsos.
No encerramento, o presidente convocou os demais Poderes para firmar o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio. Além de defender punições rigorosas, Lula enfatizou a necessidade de educar os homens para que compreendam que “nada justifica qualquer forma de violência” e que “ninguém é dono de ninguém”. Desejou aos Três Poderes serenidade e firmeza para estarem “à altura do Brasil”.









