Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Lula intensificou sua retórica antagônica contra o estado de Santa Catarina, buscando identificar um “inimigo” da agenda progressista do seu governo. A declaração polêmica ocorrida na última sexta-feira (26), onde minimizou a presença e importância econômica catarinense ao afirmar que não se podia “permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo”, gerou uma reação imediata de autoridades locais e setores da direita política do país.

De acordo com a Gazeta do Povo, o governador Jorginho (PL-SC) prontamente acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR), argumentando que as palavras atribuídas ao petista possuem caráter discriminatório contra toda a população estadual. O representante catarinense rejeita a tentativa de Lula em reduzir Santa Catarina – uma região com forte base na classe média rural –, a um mero suposto centro de “hegemonia branca”, como o professor Daniel Vargas da FGV apontou durante o debate no programa Última Análise.

A escalada do conflito se intensificou ainda com a utilização, também por Lula, da expressão “o mundo está cheio de nego maluco”, em referência às políticas expansionistas de Donald Trump – um exemplo que reitera o discurso divisório característico da esquerda brasileira. Vargas ressalta uma dinâmica preocupante: “nossa realidade é dominada por um ‘tribunal político da linguagem’, já há tempo em operação”. Ele critica a tendência, segundo ele, de condenar figuras políticas com base na interpretação do próprio termo que utilizam, acusando essa prática como “confissão de culpa”.

O episódio reacendeu o debate sobre o tratamento diferenciado recebido por figuras conservadoras no âmbito da mídia. Adriano Soares da Costa, ex-juiz de Direito e participante da análise, critica a omissão da grande imprensa em relação à declaração do petista: “Lula tem ‘sinal verde’ para dizer absurdos”. Ele compara com as reações imediatas quando o então presidente Jair Bolsonaro proferia frases consideradas controversas.

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