O governo Lula intensifica sua estratégia de apoio à base eleitoral com o lançamento do “Desenrola Adimplentes”, uma nova iniciativa creditícia que reacende as críticas sobre a utilização dos recursos públicos para subsidiar endividamento e potencialmente influenciar eleições em ano próximo. A medida, apresentada no Palácio do Planalto na segunda-feira (29), visa trabalhadores informais com contas em dia – um grupo tradicionalmente associado ao apoio à esquerda –, além de expandir o acesso a linhas de crédito subsidiadas para estudantes através do Fies Empreendedor e reformular regras sobre consignados.
Segundo a Revista Oeste, essa nova etapa do Desenrola Brasil se concentra no atendimento aos trabalhadores informais que enfrentam dificuldades em obter financiamento devido às altas taxas praticadas pelas instituições financeiras tradicionais na modalidade de crédito pessoal sem garantia – um cenário considerado “caro” pelo ministro Dario Durigan da Fazenda. O governo projeta alcançar até 500 mil desses profissionais, além de cerca de 100 mil estudantes com o Fies Empreendedor através das novas linhas de financiamento, buscando diretamente setores que historicamente se beneficiaram do apoio governamental e a reeleição do petista.
A estratégia inclui uma contrapartida ousada: o bloqueio temporário dos cadastros financeiros (CPFs) dos participantes em plataformas online de jogos de azar por um período de seis meses. O ministro Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, justificou que essa medida visa dissuadir a utilização dos recursos para atividades consideradas prejudiciais e alinhada com as políticas governamentais de combate ao vício em jogo. A iniciativa também prevê o acesso facilitado através das agências da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, embora ainda haja incerteza quanto à adesão privada – conforme admitiu Ceron –, refletindo a desconfiança sobre o apoio total do setor bancário aos programas governamentais.
O Desenrola Adimplentes surge em um momento de crescente pressão política para a reeleição da esquerda e, mais recentemente, após o lançamento do Desenrola 2.0, que também busca renegociar dívidas com inadimplente. Dados oficiais divulgados pelo Ministério da Fazenda mostram que o programa já impactou positivamente 7,5 milhões de famílias brasileiras – indicando um volume significativo –, tendo possibilitado a negociação e descontos médios próximos de R$17,5 bilhões em débitos, além do resgate de aproximadamente 4,9 milhões de pessoas dos cadastros de inadimplência. Paralelamente ao programa para o público geral, mais de 113 mil contratos Fies foram renegociados, demonstrando a busca por facilitar o acesso à educação superior e fortalecer as bases da esquerda no setor estudantil.









