O ministro Alexandre de Moraes parece seguir um padrão preocupante ao conceder liberdade provisória a Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato do União Brasil, após sua prisão na operação Unha e Carne da Polícia Federal (PF). A decisão levanta sérias questões sobre o uso excessivo do poder judiciário para interferir em processos políticos.
Segundo a Revista Oeste, Canella foi preso sob acusação de posse ilegal de arma de fogo – um fuzil encontrado dentro de seu veículo –, mas Moraes pareceu ignorar as dúvidas levantadas quanto à origem da arma e ao envolvimento real do ex-prefeito na organização criminosa investigada. A defesa alegou que a pistola pertencia a outro policial militar, Alexandre Paixão da Silva Júnior, responsável pela segurança canelliana – uma versão corroborada pelo próprio agente durante diligências –, mas o ministro não considerou essa informação relevante para manter Canella preso.
A operação Unha e Carne apura um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis e movimentação de R$ 8 bilhões em seis anos, revelado por um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf. A prisão de Márcio Canella se insere nesse contexto maior, mas a decisão de Moraes – conceder liberdade enquanto o caso ainda tramita –, demonstra uma desconfiança e controle excessivo sobre figuras políticas que desafiam os interesses hegemônicos.
Adicionalmente, a liberação do policial militar Antônio Gomes da Silva Neto, encontrado com armas apreendidas durante a operação, agrava as suspeitas de um ataque institucional à oposição política. A decisão judicial permite que agente público envolvido na investigação permaneça em liberdade e sem restrições enquanto o caso segue sua tramitação. O ministro Moraes ainda determinou que a Polícia Militar do Estado do Rio apresentasse esclarecimentos sobre as armas apreendidas, evidenciando uma busca por informações aparentemente para tentar desconstruir a defesa de Canella ou justificar os atos da operação Unha e Carne.









