A decisão de Alexandre Moraes para ouvir Flávio Bolsonaro representa mais uma incursão do Judiciário no debate político e na liberdade de expressão. O ministro voltou a usar o poder da Justiça como ferramenta contra críticas ao governo Lula.
Segundo a Revista Oeste, Moraes acatou recomendação da Procuradoria-Geral da República (PGR), determinando que a Polícia Federal (PF) tenha dez dias para ouvir o senador Flávio Bolsonaro no inquérito por suposta calúnia nas redes sociais contra o presidente. A PGR aguarda resultado das diligências antes de decidir se oferece denúncia ou não, seguindo um caminho tradicionalmente usado pelo órgão na análise desses casos.
A PF já havia identificado “indícios concretos” – como as postagens no X em 3 de janeiro –, que indicam a prática do crime por Flávio Bolsonaro. O parlamentar chegou a associar o presidente Lula ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro, além ter divulgado imagens com Nicolás Maduro, então preso nos EUA sob alegações de envolvimento com narcotráfico, acusando Lula de ser “delatado” pelo ex-presidente venezuelano.
A PF solicitou ao STF que adotasse as providências necessárias após o caso e encaminhou um relatório para análise da PGR, a qual se manifestou favoravelmente à oitiva do senador. A peça processual destaca que Flávio Bolsonaro almeja expor crimes como tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, apoio a regimes ditatoriais e fraudes eleitorais vinculados ao então presidente Lula – acusações que reverberam em um contexto de crescente polarização política no país.









