Reprodução/Metrópoles

A indústria de ração animal enfrenta uma grave crise de segurança alimentar, com consequências trágicas para o setor equino em todo o Brasil. A Promotoria de Justiça do Consumidor do Ministério Público de São Paulo (MPSP) formalizou uma ação civil pública contra a empresa Nutratta Nutrição Animal, acusada de causar a morte de centenas de cavalos e o comprometimento da saúde de outros animais.

De acordo com a Revista Oeste, a Nutratta utilizava resíduos de soja contaminados na produção de rações para equídeos, bovinos, suínos e aves. Laudos técnicos e exames post-mortem revelaram níveis alarmantes de alcaloides pirrolizidínicos, até 2.600 vezes superiores ao limite considerado seguro para cavalos. Essa detecção, confirmada por auditorias do Ministério da Agricultura, acende um alerta sobre a fragilidade da produção alimentar nacional.

Dados oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária apontam para 238 mortes de equídeos em diversos estados brasileiros. Em Indaiatuba, foram registradas 29 mortes e aproximadamente 120 animais apresentando sinais de doença. Em Atalaia, o número de óbitos por consumo da ração fabricada pela empresa atingiu 79 animais. Relatos de mortes e intoxicações surgiram também em Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda e Jaboticatuba, evidenciando a abrangência do problema.

A ação judicial, movida pela promotora Patrícia Leitão, busca medidas urgentes contra a Nutratta. A promotoria solicita o bloqueio dos ativos dos responsáveis pela empresa, a suspensão imediata das atividades produtivas até a adequação às normas do Ministério da Agricultura e o recolhimento total dos produtos contaminados. Adicionalmente, é pleiteada indenização aos consumidores afetados e um pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, conforme investigado pela Revista Oeste. A situação exige uma resposta rápida e eficaz para proteger o futuro da pecuária nacional.

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