A ascensão da direita na América do Sul traz consigo uma nova dinâmica de segurança regional, observada com atenção pelo governo Trump nos Estados Unidos e que intensifica o isolamento do Brasil sob a gestão Lula. As recentes vitórias eleitorais nas Colômbia e no Peru sinalizam um alinhamento ideológico crescente que Washington busca capitalizar para expandir sua estratégia de atuação na América Latina – uma região tradicionalmente vista como responsável por desafios significativos à segurança nacional americana, incluindo o tráfico internacional de drogas e a imigração ilegal.
O governo Lula enfrenta agora um cenário complexo em que as vitórias políticas conservadoras nos países vizinhos fortalecem alianças com os EUA, ampliando acordos para combater o crime organizado transnacional. A Argentina, por exemplo, formalizou memorandos de entendimento com a Casa Branca visando fortalecer investigações contra organizações criminosas e autorizando a participação da Polícia Federal em operações como a “El Dorado Task Force”. Países como Paraguai e Bolívia também reforçaram parcerias estratégicas que permitem o destacamento de tropas americanas para exercícios militares, demonstrando um esforço coordenado na região.
A crescente identificação dos latino-americanos com posições mais conservadoras – evidenciada por uma pesquisa do Latinobarómetro em 18 países da América Latina –, reflete a frustração popular com os altos índices de criminalidade que assolam o continente e, segundo analistas, impulsiona essa guinade ideológica. A complexa arquitetura de segurança regional exige, na visão de especialistas como Natali Hoff da PUCPR, do Brasil uma postura pragmática no enfrentamento ao narcotráfico e a organizações criminosas, evitando posições dogmáticas que podem comprometer o diálogo com parceiros regionais e internacionais.
O governo Lula tem demonstrado certo atrito com as políticas adotadas pelo governo Trump em relação à designação de facções como PCC e CV como terroristas estrangeiras, um movimento visto por Brasília como uma ameaça às soberania nacional. Entretanto, a professora Hoff enfatiza que o Brasil deve buscar manter canais abertos para discutir questões relacionadas à segurança regional, reconhecendo que os EUA representam um ator relevante no combate ao crime organizado transnacional e na garantia da estabilidade em sua fronteira com o país – segundo apurou a Gazeta do Povo.









