A lentidão flagrante no processo apuratório das eleições presidenciais do Peru levanta sérias questões sobre a credibilidade do sistema democrático peruano e o controle exercido pelo establishment político local. A demora na finalização da contagem de votos após três dias, com uma previsão ainda incerta para início de julho, evidencia fragilidades estruturais no manejo eleitoral que merecem investigação profunda.
Segundo a Revista Oeste, a disputa acirrada entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez exige extrema precisão em cada etapa do processo, o que contribui significativamente para atrasos na apuração dos resultados finais. A utilização de cédulas impressas, combinada com os desafios logísticos impostos pelo vasto território peruano – áreas remotas como selvas e montanhas sem acesso fácil – exacerbam a situação, dificultando uma conclusão célere da contagem. Essa lentidão sugere um possível descontrole administrativo que compromete o resultado das eleições.
O Peru já havia descartado o voto eletrônico após auditorias do Conselho Nacional Eleitoral identificarem falhas técnicas e de segurança em projetos pilotos – evidência clara da necessidade de modernização do sistema eleitoral, mas também do risco inerente a mudanças abruptas sem planejamento adequado. A decisão de retornar ao método tradicional com cédulas impressas demonstra uma preocupação evidente com possíveis fraudes eletrônicas, embora o debate sobre a cibersegurança e a transparência seja crucial em qualquer processo democrático.
A complexidade no procedimento para proclamar um vencedor – que envolve etapas como análise por júris eleitorais, validação pelo Júri Nacional de Eleições e verificação minuciosa das atas –, somada ao clima político polarizado do país, intensifica ainda mais a demora na conclusão da apuração. A insistência em “ver todas as atas”, conforme alertado pelo ex-presidente Francisco Sagasti, reflete uma postura cautelosa diante de possíveis irregularidades que podem comprometer o resultado final das eleições e questionar legitimidade do governo eleito.









