Bruno Peres/Agência Brasil

A Operação Disclosure avança com um bloqueio judicial que atinge R$54 bilhões após a Polícia Federal identificar uma fraude contábil bilionária na Americanas. A segunda fase da investigação, deflagrada nesta quinta-feira (25), intensifica o cerco à varejista e seus executivos envolvidos em esquemas de manipulação financeira sem precedentes.

De acordo com informações divulgadas por O Antagonista, nove mandados foram cumpridos simultaneamente no Rio de Janeiro e São Paulo como parte da Operação Disclosure. A 10ª Vara Federal Criminal determinou o bloqueio judicial dos bens ligados aos investigados, um montante que representa a quantia estimada do prejuízo causado às instituições financeiras e investidores brasileiros devido à fraude.

A investigação agora se concentra em apurar possíveis cúmplices entre acionistas da Americanas e representantes de grandes bancos privados, levantando suspeitas sobre o conhecimento prévio ou participação ativa na ocultação das dívidas bilionárias que a empresa acumulou. A PF sustenta que executivos da Americanas criaram um esquema engenhoso para inflacionar artificialmente os resultados financeiros, elevando indevidamente o valor de suas ações no mercado bolsista e gerando lucros ilícitos com essa manipulação.

Segundo apurou O Antagonista, a fraude se baseava em práticas como risco sacado – transferência ilegal de dívidas entre empresas para mascarar as finanças da Americanas – e na utilização abusiva das chamadas VPCs (verbas de propaganda cooperada), que teriam sido inflacionadas sem lastro econômico. Há indícios também de crimes relacionados à manipulação do mercado financeiro brasileiro, juntamente com a formação de uma associação criminosa para perpetrar essa atuação fraudulenta e causar prejuízos em larga escala aos investidores.

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