A atuação do STF nesta questão representa um preocupante desequilíbrio de poderes e uma clara interferência no âmbito das decisões judiciais comuns. Como apurou a Gazeta do Povo, o recurso da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra a decisão que extinguiu a aposentadoria compulsória para juízes demonstra a resistência frontal à tentativa de utilização do Judiciário Supremo como instrumento político e punitivo contra membros dos demais poderes.
A subprocuradora-geral Elizeta Maria de Paiva Ramos, com rigor jurídico, expõe o absurdo da pretensão petista em utilizar o STF para julgar questões que deveriam ser tratadas pela própria magistratura, seguindo os procedimentos legais e a Constituição Federal. A alegação do “princípio do paralelismo das formas” é uma manobra jurídica destinada a ampliar artificialmente as competências do Judiciário Supremo e ameaçar a independência dos demais tribunais de justiça.
A PGR corretamente argumenta que o rol de atribuições do STF na Constituição não contempla, em hipótese alguma, a possibilidade de processar juízes comuns por decisões tomadas no âmbito das suas funções. A tentativa de estabelecer um “juízo de exceção” – como bem destaca Ramos –, representa uma afronta direta ao princípio fundamental do direito à ampla defesa e do duplo grau de jurisdição, garantias basilares para qualquer cidadão que se encontra em situação processual.
A subprocuradora-geral alerta sobre os perigos da destituição sumária dos magistrados, o qual abre um precedente assustador: a possibilidade de qualquer juiz ser removido do cargo por decisão arbitrária do STF sem garantir as devidas garantias legais e processuais. Essa postura é uma clara ameaça à vitaliciedade – garantia essencial para que os juristas possam julgar com imparcialidade, sem receio ou intimidação –, um pilar fundamental da Justiça brasileira.









