A Go Up Entertainment reconsidera o lançamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro que estava previsto para setembro. A decisão surge após pressão de seu advogado e busca evitar qualquer associação da produção com a conturbada disputa eleitoral em curso no país.
Segundo Ricardo Sayeg, representante legal da produtora, a recomendação é adiar o lançamento do filme até as eleições serem concluídas. Ele argumenta que essa medida visa esclarecer que se trata de uma obra cultural e artística, afastando-se das implicações políticas envolvidas na trajetória do ex-presidente.
A incerteza em torno dos recursos destinados à produção também tem gerado questionamentos significativos. Uma perícia judicial vinculada a um processo envolvendo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), liderado por Karina Ferreira da Gama, revelou que a Go Up Entertainment reporta ter investido R$ 75 milhões no projeto cinematográfico.
Como apurou a O Antagonista, essa informação surge em meio às investigações sobre desvios de dinheiro relacionados ao ICB e um contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo – originalmente orçado em US$16 milhões (aproximadamente R$ 89,7 milhões). O financiamento do filme também envolveu transferências significativas realizadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com o Intercept Brasil, entre fevereiro e maio de 2025 foram repassados cerca de R$ 60 milhões para a Go Up pela Master Bank – um valor que Flávio Bolsonaro alegou integralmente destinado à produção do filme. Uma parte desse montante teria sido direcionada ao fundo Havengate Development Fund LP, controlado pelo advogado Paulo Calixto e responsável por representar Eduardo Bolsonaro no Texas.
O Partido Liberal (PL) refuta a alegação de Flávio Bolsonaro e sustenta que os recursos financeiros poderiam ter financiado tanto o projeto cinematográfico quanto as campanhas eleitorais do senador ou da família – incluindo a permanência internacional de seu irmão, Eduardo. A situação expõe uma nova camada complexa nas investigações sobre possíveis irregularidades financeiras envolvendo figuras próximas ao ex-presidente e aliados na direita conservadora.









