O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, enfrenta uma nova onda de críticas após a Operação Wi-Fi Livre SP, que investiga irregularidades em um contrato milionário com a ong Instituto Conhecer Brasil (ICB). A investigação, que já elevou o valor do contrato para R$ 157,1 milhões, levanta suspeitas de superfaturamento e possíveis direcionamentos na escolha da entidade, ligada à empresária responsável pela produtora do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a Gazeta do Povo, o prefeito Nunes se defende veementemente, afirmando que não identificou nenhuma irregularidade no processo de contratação. Em entrevista coletiva, ele ordenou uma revisão completa do contrato, alegando que sua equipe confirmou a ausência de problemas. No entanto, a Operação Wi-Fi Livre SP aponta que pelo menos R$ 26 milhões foram pagos sem a entrega dos serviços prometidos, e que o contrato original de R$ 108 milhões sofreu diversos aditivos que aumentaram significativamente o custo.
A prefeitura rebate as acusações de superfaturamento, argumentando que o valor de R$ 1,8 mil pago por ponto de internet era superior ao valor praticado pela Prodam, empresa pública do município, que executava o serviço por cerca de R$ 1.280. Nunes também enfatiza que o chamamento público para a contratação permaneceu aberto por 30 dias e que nenhuma outra organização apresentou proposta além do ICB, descartando qualquer influência política na escolha da entidade.
O prefeito Nunes não poupa críticas à investigação, sugerindo que ela pode estar sendo motivada por fatores políticos, em razão da ligação da empresária Karina Ferreira da Gama com a produção do filme sobre Bolsonaro. Ele considera alarmante a coincidência temporal entre a contratação do ICB em junho de 2024 e a comunicação oficial sobre as gravações do filme à SPCine, em outubro de 2025. A alegação é de que essa coincidência levanta questionamentos sobre a motivação da operação e representa um desrespeito à democracia.









