Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ministro George Santoro desafiou diretamente as previsões alarmistas do setor de transporte e da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) quanto à implantação da jornada de trabalho reduzida de 40 horas na categoria. Em declarações recentes ao Poder360, o titular do Ministério dos Transportes ressaltou a capacidade adaptativa do mercado e defendeu que as preocupações levantadas sobre custos inflacionários são exageradas e podem ser mitigadas por meio de regulamentação específica para cada segmento profissional.

A proposta da Câmara dos Deputados – agora em análise no Senado –, visa diminuir o limite máximo semanal das jornadas, atualmente fixado em 44 horas, para 40. Como apurou a Gazeta do Povo, essa mudança é vista por Santoro como um passo necessário para modernizar o setor e atender às demandas da economia brasileira, sem gerar impactos negativos irreversíveis no país. O ministro enfatizou que existem regras específicas já em vigor, principalmente referentes aos trabalhadores de longa distância – caminhoneiros –, que podem ser complementadas com normas mais detalhadas adaptadas a cada nicho do mercado transportador.

A CNT e outros grupos da categoria continuam expressando forte oposição à medida, alertando para um potencial aumento drástico nos custos operacionais das empresas e possíveis consequências inflacionárias que afetariam diretamente os consumidores brasileiros – e consequentemente, seu poder de compra. No entanto, Santoro se mostrou cético diante dessas projeções pessimistas, argumentando que a adaptação do mercado ao novo regime será gradual, com um período de transição de 14 meses para permitir o ajuste das empresas e da força trabalhadora.

O ministro também apontou áreas específicas como embarque e operações logísticas que poderiam sentir os efeitos mais intensos dessa mudança – algo que já é previsto pela Confederação Nacional dos Transportes, a qual alerta sobre riscos de atraso nas entregas, perda de eficiência e aumento nos custos das cargas, especialmente aquelas com produtos perecíveis ou carga viva. A complexidade da proposta exige atenção especial por parte do Senado Federal para evitar um cenário desordenado que comprometa o desenvolvimento econômico nacional.

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