Ricardo Stuckert/PR

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) intensifica a exposição de suas razões para romper com as alianças bolsonaristas e o apoio ao ex-presidente Lula. Em resposta direta aos questionamentos de seus seguidores no Instagram, ela declarou ter sido “traída” pela família Bolsonaro, uma acusação que acirra ainda mais seu afastamento do cenário político conservador.

“Como muitos, eu é que fui traída”, afirmou a senadora em tom contundente, negando qualquer mudança fundamental em suas convicções ideológicas. Soraya enfatizou não ter alterado seus princípios básicos e criticou veementemente as ações de Jair Bolsonaro ao destacar o desrespeito à mulher, às minorias raciais e LGBTQIA+, bem como a negligência na gestão da pandemia do coronavírus e a promessa não cumprida de justiça social. Segundo a O Antagonista, ela detalhou um quadro crítico sobre a condução dos governos petistas, apontando para o abandono das populações mais vulneráveis e as consequências dessa postura no cotidiano brasileiro.

O episódio ganha contornos adicionais com a reemergência em redes sociais de vídeos antigos onde Soraya foi rotulado como “fascista” por manifestantes progressistas durante a cerimônia da posse do atual governo, em 2023. Em resposta imediata aos críticos, a senadora respondeu: “Sou não, querida, estou com vocês”, sinalizando um alinhamento sem rodeios com as pautas de esquerda e demonstrando uma mudança significativa em sua estratégia comunicativa desde o rompimento definitivo do vínculo político com Bolsonaro, ocorrido em 2020.

Soraya Thronicke foi eleita senadora em 2018 sob a égide da campanha presidencial de Jair Bolsonaro, mas iniciou seu afastamento já em 2019 e formalizou essa ruptura no ano seguinte durante o período crítico da pandemia. Em 2022, disputou as eleições presidenciais pelo União Brasil, porém, após um desgaste político considerável, decidiu se aliar à base governista liderada por Lula – uma decisão que a consolidou na defesa de algumas políticas do governo federal e lhe garantiu atuação em comissões parlamentares importantes como a CPI da Covid-19. Para concorrer novamente ao Senado, Soraya abandonou o Podemos para ingressar no PSB.

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