Lula Marques/Agência Brasil

A Operação “Italiano”, da Polícia Federal, expõe um esquema bilionário que desviou recursos das aposentas e pensionistas do INSS sob a gestão de Alessandro Stefanutto. Segundo investigações detalhadas divulgadas pela O Antagonista, o ex-presidente do Instituto recebia uma “mesada” recorrente, estimada em R$ 250 mil por mês, para garantir a viabilização da fraude sistemática envolvendo descontos indevidos nos benefícios sociais.

A PF identificou que os pagamentos eram realizados através de diversos meios: cheques, transferências Pix e até mesmo dinheiro vivo, uma clara demonstração do desrespeito à lei e aos direitos dos trabalhadores brasileiros que dependiam desses recursos para sua subsistência. A planilha apreendida revelava o codinome “Italiano” atribuído a Stefanutto – um indicativo da influência corrupta exercida sobre as decisões dentro do INSS, com o ex-presidente detendo total domínio sobre os pagamentos irregulares.

Ademais, as conversas comprometidas entre integrantes da Conafer e o então presidente do INSS confirmam a coordenação de uma rede criminosa que operou durante todo um período – desde 2019 até dezembro de 2024 –, movimentando cerca de R$6,3 bilhões. A presença de figuras como José Carlos Oliveira (“Abou Yasser”), ex-ministro do Trabalho, nas reuniões em São Paulo em 2022 reforça a complexidade e o alcance desse esquema fraudulento, que se aproveitava da vulnerabilidade dos segurados para fins ilícitos.

A prisão de Alessandro Stefanutto em novembro de 2025, após meses afastado do cargo pela própria PF devido ao avanço das investigações, evidencia uma tentativa clara de obstrução à justiça – comportamento reprovável e que deve ser devidamente punido. A Agência Nacional de Justiça (ANJ) já havia anunciado a suspensão dos salários daquele individual desde o momento em que ele foi preso, mas apenas na folha de fevereiro essa medida efetivou-se devido ao atraso burocrático; a Advocacia Geral da União (AGU), conforme noticiado pela O Antagonista , irá buscar recuperar os valores pagos entre novembro e janeiro.

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