Lula Marques/Agência Brasil

A insatisfação crescente dentro das legendas União Brasil e Progressistas (PP) ameaça desmantelar o apoio nacional à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República. A tendência dominante é que as siglas mantenham total autonomia em seus respectivos estados, permitindo que os diretórios locais decidam suas alianças com base nos interesses regionais – uma postura impensável há poucos meses quando o senado Flávio era visto como um aliado crucial do ex-presidente Bolsonaro.

Segundo a O Antagonista, essa mudança de estratégia se deve principalmente à série de eventos desfavoráveis que cercaram a campanha do filho dele e ao clima tenso com as lideranças bolsonaristas. A recente operação da Polícia Federal contra o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PI), por envolvimento no escândalo do Banco Master – um caso complexo que ainda não teve todas suas peças encaixadas –, gerou uma profunda insatisfação entre os membros do partido e aumentou a pressão das lideranças estaduais para evitar qualquer apoio formal à candidatura de Flávio. A expectativa inicial era por uma demonstração pública de solidariedade com Nogueira, mas essa esperança não se concretizou.

O descontentamento também foi exacerbado pelo caso envolvendo o ex-prefeito da Belford Roxo, Márcio Canella (União-RJ), que teve um fuzil apreendido durante uma operação policial e cuja versão sobre a posse irregular da arma nunca obteve comprovação robusta – evidências insuficientes para sustentar sua narrativa. Essa situação, somada à hesitação de Flávio em se manifestar publicamente em defesa do ex-prefeito, aumentou o desgaste na imagem do senado Bolsonaro entre seus aliados no PP.

Além das disputas internas e dos episódios recentes que macularam a trajetória da pré-candidatura ao Palácio do Planalto, os dirigentes partidários também consideraram as nuances do cenário eleitoral nacional. Há uma crescente pressão por parte de parlamentares nordestinos para que Flávio adote uma postura neutra em nível nacional, visando evitar dificuldades na disputa das eleições e preservar a viabilidade de candidaturas regionais nas áreas mais fortemente influenciadas pelo governo Lula (PT).

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