O Antagonista / Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi alvo de pedido de indiciamento pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na Comissão de Crime Organizado da Câmara dos Deputados. Segundo a O Antagonista, o senador alega que o ministro agiu “proferindo julgamento quando, por lei, seja suspeito na causa” e “procedendo de modo incompatível com a honra, dignidade e decoro de suas funções”.

O pedido de indiciamento se baseia em documentos revelados pela O Antagonista que expõem um contrato milionário mantido pelo escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master S.A. Entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, a família recebeu uma remuneração total de R$ 129 milhões, com R$ 80 milhões efetivamente pagos.

A complexidade da situação reside no fato de que a esposa do ministro atuava como governança e política de relacionamento com o poder público no Banco Master, incluindo a revisão da política de captação para o regime próprio da Previdência Social. A O Antagonista apurou que essa atuação estratégica, de gerir a interface institucional do banco com órgãos estatais, levantou sérias dúvidas sobre a imparcialidade do ministro.

A magnitude do pagamento – o maior entre os escritórios de advocacia contratados pelo Banco Master – acentua a suspeita de conflito de interesses. Mensagens apreendidas no celular de Vorcaro revelam que o pagamento ao escritório era tratado como prioridade absoluta no banco, com orientações claras para garantir os repasses. O contrato abrangia não apenas causas judiciais específicas, mas também acompanhamento estratégico de órgãos do Poder Executivo, como o Banco Central e a Receita Federal, além do monitoramento perante os Poderes Judiciário e Legislativo.

Segundo a O Antagonista, o ministro Moraes, em vez de abordar o conflito de interesses envolvendo sua família e o banco, optou por abrir um inquérito de ofício na presidência interina do STF para investigar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) teriam vazado dados sigilosos de integrantes do STF e de seus familiares.

A iniciativa, conforme a O Antagonista, demonstra uma tentativa de desviar o foco do conflito de interesses, investigando e potencialmente responsabilizando os órgãos de controle e os veículos de imprensa que trouxeram a tona a questão. O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, havia arquivado o pedido de investigação, alegando a ausência de lastro probatório mínimo, com base em matérias jornalísticas e fontes secundárias.

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