O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou hoje que o Ministério da Justiça e o Ministério das Relações Exteriores iniciem os trâmites para a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. A ordem surge em decorrência de um julgamento em Roma que habilitou a transferência da parlamentar para o Brasil.
Segundo a Gazeta do Povo, a decisão foi tomada após a análise de um documento oficial do governo, datado de 14 de julho, que comunicava a sentença italiana. Apesar da autorização para a extradição, ainda existe um recurso em aberto, aguardando avaliação pela Corte Suprema de Cassação da Itália – o equivalente italiano ao STF. Este recurso será julgado na sexta-feira.
O caso central envolve as acusações contra Zambelli relacionadas ao suposto financiamento da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) perpetrada pelo hacker Walter Delgatti Neto, conhecido como “Hacker de Araraquara”. A ex-parlamentar foi condenada a dez anos de detenção e, após deixar o país, foi incluída na lista vermelha da Interpol e posteriormente presa na Itália.
Adicionalmente, a extradição é solicitada em relação a um incidente ocorrido nas vésperas do segundo turno das eleições de 2022, no qual Zambelli teria perseguido um eleitor armado. A defesa da ex-deputada apresentou argumentos questionando a parcialidade do ministro Moraes, as condições de encarceramento no Brasil e a ausência de uma legislação equivalente à invasão de dispositivos informáticos na Itália. A dupla cidadania de Zambelli também não foi considerada um impedimento para a cooperação com as autoridades brasileiras.









