O Papa Leão XIV lançou sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas” — “Magnífica Humanidade” — um ano após assumir a liderança da Igreja Católica. O extenso documento de 105 páginas concentra-se na proteção da dignidade humana diante da crescente influência da inteligência artificial, delineando a direção do seu governo pontifício para os próximos anos.
A obra, segundo a O Antagonista, estabelece um ponto de partida crucial: a tecnologia, em si, não representa uma ameaça inerente à humanidade. O problema reside na natureza intrinsecamente influenciável das ferramentas tecnológicas, que refletem os valores, os interesses e as decisões daqueles que as concebem, financiam e controlam. O Papa Leão XIV defende, portanto, que o avanço tecnológico deva ser guiado pelo bem comum.
A encíclica enfatiza que a humanidade, em toda a sua complexidade e com todas as suas imperfeições, jamais deve ser subjugada ou substituída por sistemas automatizados. O teólogo Filipe Domingues, professor na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, destaca que o texto se apoia no princípio personalista, onde o ser humano é central e o objetivo final de todos os processos. Como resumiu Domingues, o documento é uma defesa da dignidade humana em um contexto marcado pela sociedade da inteligência artificial, oferecendo uma reflexão doutrinária e não um tratado técnico sobre o tema.
Leão XIV aborda uma série de questões interligadas, incluindo a importância do trabalho justo, a justiça social, os horrores dos conflitos armados e os direitos dos migrantes. Adverte que a revolução digital está alterando a natureza dos conflitos, potencializando a violência e diminuindo a responsabilidade humana. A encíclica também critica a concentração de poder nas mãos de grandes corporações de tecnologia, defendendo a supervisão pública e a regulamentação das novas tecnologias, além do combate a discursos de ódio e à degradação ambiental causada por essas inovações.









