Tânia Rêgo/Agência Brasil

A Polícia Federal aponta que o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, delator da Operação Lava Jato, atuou como intermediário entre o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A investigação revela um esquema complexo que envolveu a aplicação de R$ 3,6 bilhões da Rioprevidência, o regime de aposentadorias do estado, em fundos e títulos ligados ao Banco Master, desde o final de 2023.

Segundo a Gazeta do Povo, a Polícia Federal descreve Rodrigues como um articulador, um “captador” e um lobista, com papel ativo na identificação de oportunidades e na aproximação entre Vorcaro e autoridades com poder de decisão sobre os regimes de previdência. O delator recebeu uma comissão de 0,6% sobre os valores angariados, atuando como “principal responsável” pela aquisição de títulos do Banco Master junto às previdências.

A decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a operação Compliance Zero, e que teve acesso a esta publicação, detalha a influência de Castro. O ex-governador teria articulado mudanças na direção da Rioprevidência após reuniões com Vorcaro, destituindo diretores que se opunham à aplicação de recursos no Banco Master, apesar de pareceres técnicos apontarem alto risco nos papéis oferecidos pela instituição.

A investigação também aponta para a Mídias Promotora Ltda., empresa ligada a Rodrigues e utilizada para receber e distribuir comissões provenientes dos fundos de previdência, configurando-se como um “canal para escoar recursos oriundos de operações fraudulentas, facilitando a lavagem de ativos e o repasse de valores aos agentes envolvidos”.

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