Reprodução/Youtube Esfera Brasil

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenta, com uma audácia que desafia os limites da operação Compliance Zero, ampliar o prazo para devolver os bilhões em dinheiro desviado, apostando em uma reviravolta jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta inicial de colaboração premiada, que a Polícia Federal rejeitou categoricamente, envolvia um prazo excessivamente longo para a devolução de cerca de R$ 40 bilhões, uma oferta apresentada pela defesa como um prazo de dez anos.

Investigadores da Polícia Federal interpretaram a extensão da devolução proposta como uma estratégia engenhosa, buscando, no curso do processo judicial, a possibilidade de obter uma anulação das investigações ou de quaisquer decisões que o levassem a uma condenação. A intenção era clara: impedir que os pagamentos, que já haviam sido revertidos, voltassem a Vorcaro, caso o STF decidisse invalidar as acusações.

A situação se agrava com a saída do advogado José Luiz Oliveira Lima, o “Juca”, da defesa de Vorcaro, um rompimento resultado de uma série de eventos, notadamente as conduções da delação junto ao STF. A busca por um novo defensor, com a figura do advogado Daniel Bialski, que já representou o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), demonstra a gravidade do momento para o banqueiro.

A pressão sobre Vorcaro se intensifica com a rejeição da proposta de delação pela Polícia Federal e a manutenção de uma porta aberta pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que sinaliza que o acordo pode avançar com a adição de informações e um aumento nos valores de ressarcimento aos cofres públicos, elevando o montante para R$ 60 bilhões, com devolução imediata. A complexidade da situação demonstra a necessidade de Vorcaro se adaptar para manter a estratégia de sobrevivência jurídica.

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