Fellipe Sampaio/SCO/STF

A Advocacia-Geral da União (AGU) está investindo em um evento com forte ligação com um ministro do Supremo Tribunal Federal, o que levanta sérias questões sobre o uso do dinheiro público. O órgão pretende enviar uma delegação ao Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”, um evento organizado por Gilmar Mendes, decano do STF, e seu instituto.

A viagem, que ocorrerá de 1º a 3 de junho, custará integralmente aos cofres públicos, com a AGU arcando com passagens e diárias para três servidores: o advogado-geral da União substituto, Flavio José Roman, o procurador-adjunto Paulo Ronaldo Ceo de Carvalho e o assessor especial de Relações Internacionais, João Henrique Bayão. Outros membros da AGU receberam autorização para participar, com financiamento parcial.

Segundo a Revista Oeste, o “Gilmarpalooza” reúne autoridades, ministros, integrantes do governo, parlamentares, empresários e advogados, em uma espécie de festival jurídico, uma escolha que já demonstra uma preocupação com o fortalecimento do poder judiciário com figuras de peso. A portaria normativa 221, assinada por Flavio Roman, que regulamenta a relação da AGU com fundações de apoio, também está intimamente ligada a essa iniciativa, buscando mecanismos para o apoio administrativo e financeiro a projetos acadêmicos e de inovação.

Essa movimentação, que envolve a participação de altos cargos da AGU em um evento com forte ligação com um ministro do STF, merece atenção redobrada. A utilização de recursos públicos para financiar um evento com essa natureza levanta suspeitas sobre possíveis favorecimentos e direcionamentos, práticas que precisam ser investigadas com rigor para garantir a lisura e a independência do Poder Judiciário.

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