O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem planos concretos de diálogo com autoridades americanas, numa demonstração de que o governo Lula busca, a todo custo, evitar uma escalada comercial com os Estados Unidos. Em entrevista à TV Globo, o ministro revelou que pretende buscar contato com o secretário do Tesouro, Scott Besant, para discutir a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo a Revista Oeste, Durigan enfatizou que a decisão de taxar os produtos brasileiros ainda não foi formalizada, mas que o governo está atento à situação. O ministro Mauro Vieira, da Relações Exteriores, participará da reunião da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, uma medida que busca, em paralelo, encontrar soluções diplomáticas para o impasse. O petista ressaltou a intenção de o presidente Lula também buscar contato com o ex-presidente Donald Trump, em busca de uma desativação da medida.
A recomendação do USTR, publicada na segunda-feira, 1º, aponta seis práticas consideradas “desarrazoadas ou discriminatórias” que oneram o comércio dos EUA. Entre elas, estão ordens secretas de censura, pagamentos eletrônicos via Pix, tarifas diferenciadas, combate à corrupção, proteção de propriedade intelectual, acesso ao etanol e o problema do desmatamento ilegal. O órgão americano elevou a taxa recomendada para 12,5%, justificando a decisão pela ausência de medidas efetivas contra a importação de produtos de países que praticam trabalho forçado.
A Revista Oeste apurou que o governo brasileiro terá a oportunidade de apresentar defesa antes da decisão final do governo americano. Essa estratégia visa, de acordo com fontes próximas a Durigan, demonstrar o compromisso do Brasil com a solução dos problemas, buscando evitar que a recomendação do USTR se torne uma imposição arbitrária. A postura do governo Lula, nesse cenário, é de negociação e busca por mecanismos que garantam a livre circulação de mercadorias entre os dois países.









