Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Um alarmante aumento nos casos de pacientes crônicos que racionam ou interrompem o tratamento com medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS) tem vindo a chamar atenção para uma grave falha na gestão dos recursos e no acesso à saúde em nosso país. Dados recentes, obtidos pelo movimento Medicamento no Tempo Certo (MTC), revelaram um cenário preocupante: 33 mil relatos de irregularidades e desabastecimento envolvendo 58 medicamentos essenciais para doenças crônicas, imunomediadas, raras e oncológicas nas primeiras semanas deste ano. O problema afeta pacientes em diversas regiões do Brasil, expondo a fragilidade da rede pública na garantia do acesso à saúde adequada.

Segundo o pesquisador de doenças raras e autoimunes no Centro de Estudos em Terapias Inovadoras, Sebastião Cezar Radominski, a situação se agravou significativamente nos meses finais de 2025, sem apresentar solução para diversos tratamentos. A falta generalizada de medicamentos de alto custo para oncologia e doenças crônicas tem exposto pacientes à maior vulnerabilidade clínica e impacta diretamente sua qualidade de vida.

Um levantamento realizado pelo MTC entre 1º e 30 de abril registrou o registro de 2.547 relatos sobre falhas no fornecimento desses medicamentos, com a aquisição sob responsabilidades do Ministério da Saúde. Dos casos reportados, mais de seiscentos pacientes declararam não ter recebido medicação há mais de sessenta dias, enquanto outros setecentos interromperam seus tratamentos por pelo menos trinta dias. A coordenadora do MTC, Priscila Torres, alerta para os sérios riscos clínicos decorrentes da interrupção prolongada no uso desses medicamentos essenciais, capazes de comprometer a eficácia dos tratamentos e impactar o bem-estar dos pacientes.

O caso emblemático é o enfrentamento por Jussara Leme (47 anos), moradora de Guaianases em São Paulo, diagnosticada com artrite reumatoide há seis anos que necessita da leflunomida para controlar a doença. A paciente relata ter sido privada do medicamento pelo menos três meses, impactando sua qualidade de vida e agravação dos sintomas, evidenciando a urgência na resolução desse problema no estado de São Paulo.

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