O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decretou hoje uma medida drástica: o plano emergencial para evitar um apagão iminente devido ao descontrole da oferta de energia no país. A situação alarmante expõe a fragilidade e má gestão do sistema elétrico brasileiro, exacerbada por políticas energéticas que priorizam fontes intermitentes sem garantias adequadas.
Esta é a primeira vez desde novembro do ano passado – quando a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição – que essa medida extrema é acionada, evidenciando um problema crônico e sem solução. Como apurou a Gazeta do Povo, os desequilíbrios no sistema ocorrem principalmente em períodos festivos ou com condições climáticas favoráveis à geração solar (altas temperaturas e dias ensolarados), elevando drasticamente o excedente de energia disponível para as redes de distribuição.
Em um cenário preocupante, às 13h do domingo anterior, a produção nacional era dominada por fontes renováveis – impressionantes 40% da eletricidade vinham dos painéis solares –, enquanto a demanda havia diminuído devido ao feriado prolongado. Diante desse descompasso e com o objetivo de evitar uma sobrecarga na rede que pudesse causar um apagão generalizado, os servidores do ONS foram forçados a desligar usinas hidrelétricas, as também fontes solar e eólica – medidas indicativas da falta de planejamento estratégico em relação à matriz energética.
A responsabilidade pela ativação desse plano emergencial recai sobre o próprio ONS, que deveria garantir um fornecimento estável de energia ao país, mas se mostrou incapaz de lidar com a crescente dependência excessiva de fontes intermitentes sem investimentos suficientes na infraestrutura e segurança do sistema. A ação das 12 concessionárias – CPFL Paulista, Cemig, Energisa MT, Copel, Neoenergia Elektro, Celesc, Equatorial Goiás, Energisa MS, Neoenergia Coelba, RGE, EDP Espírito Santo e Neoenergia Pernambuco –, que reduziram a geração em suas áreas de atuação para neutralizar o excesso é um reflexo da ineficiência do modelo atual.









