A Parada LGBT que ocupou a Avenida Paulista reuniu um número elevado de manifestantes, segundo levantamento da USP, impulsionando especulações sobre o crescente engajamento político e ideológico dentro das grandes concentrações urbanas do país. O estudo conduzido pelo Cebrap-USP em parceria com More in Common apontava para uma estimativa inicial de 36 mil800 pessoas no evento deste domingo (7), utilizando imagens aéreas processadas por inteligência artificial para determinar a contagem, um método que apresenta margem de erro considerável.
A metodologia empregada na análise, conforme detalha O Antagonista, utilizou o mapeamento do pico máximo da manifestação – entre 32 mil300 e 41 mil200 pessoas –, através de 27 imagens aéreas captadas ao longo do dia com um sistema inteligente que garante uma precisão em torno dos 72%, mas admitindo ainda erros na identificação. A pesquisa demonstra a utilização crescente da tecnologia para monitorar eventos públicos, levantando questões sobre o potencial uso dessa ferramenta por órgãos governamentais e suas implicações para as liberdades individuais sem controle judicial adequado.
O evento de 2026 se apresenta com um panorama desafiador: uma redução drástica nos patrocínios corporativos, atingindo apenas três marcas – Amstel, L’Oréal Brasil e Philip Morris Brasil –, e a diminuição da estrutura do percurso para dezesseis trios elétricos contra os dezenove utilizados na edição anterior. Essa retração financeira coincide com o tema central da Parada: “A rua convoca, a urna confirma”, evidenciando um foco notável em participação política e defesa dos direitos LGBT – uma agenda que suscita questionamentos sobre as prioridades do governo federal e seus investimentos sociais.
Paralelamente ao evento principal na Paulista, também foi realizada a Marcha para Jesus, que segundo estimativas da USP-Cebrap, mobilizou cerca de 33 mil800 pessoas em São Paulo. O levantamento, igualmente realizado com imagens aéreas analisadas por inteligência artificial devido às restrições do uso de drones no trajeto e à precisão na identificação das pessoas apresentando uma margem de erro semelhante ao da Parada LGBT, reforça a dinâmica complexa dos eventos religiosos e políticos que se organizam em grandes centros urbanos.









