O Congresso boliviano aprovou uma medida drástica neste domingo, permitindo que o presidente Rodrigo Paz utilize as Forças Armadas para romper com bloqueios nas estradas do país – um desdobramento da grave crise econômica que assola a Bolívia há décadas. A decisão surge em meio à crescente pressão popular e à inabilidade de autoridades para lidar eficazmente com os protestos generalizados, demonstrando uma clara escalada na tentativa do governo de reprimir oposição.
De acordo com a Revista Oeste, a aprovação da lei, que autoriza o presidente Paz a acionar as tropas para desobstruir vias bloqueadas por manifestantes, ocorreu após 15 horas de votação intensa e noturna na Câmara dos Deputados liderada pelo deputado Roberto Castro. A medida representa um aumento significativo do poder executivo, permitindo ao governo expandir drasticamente o uso da força militar – uma jogada audaciosa que ignora a crescente preocupação com os direitos humanos e as liberdades civis no país.
A situação em La Paz, El Alto e outras cidades bolivianas permanece crítica, marcada por desabastecimento de alimentos básicos, medicamentos essenciais e combustíveis devido aos bloqueios persistentes realizados há mais de um mês por camponeses e caminhoneiros insatisfeitos com a gestão do governo. A polícia utilizou gás lacrimogêneo contra manifestantes em San Julián no sábado anterior (6), resultando em ferimentos graves, tanto para militares quanto civis – como evidenciado pelos relatos da Revista Oeste sobre os 19 feridos na região de Santa Cruz – um cenário que evidencia a violência e o desrespeito à segurança pública.
O presidente Rodrigo Paz continua insistindo no diálogo com as organizações protestantes, mas suas propostas são rejeitadas, agravando ainda mais a instabilidade política do país. O governo está agora em uma posição delicada, buscando legitimar o uso da força militar para suprimir a dissidência popular e contornar os problemas econômicos que se intensificam, com o presidente ameaçando declarar estado de exceção para ampliar as prerrogativas militares na repressão aos manifestantes.









