Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto ascendeu à figura inesperada como arcebispo da capital paranaense em 1971, um feito que surpreendeu a todos e transformou profundamente o cenário religioso de Curitiba. Segundo a Gazeta do Povo, essa trajetória incomum começou com uma vocação precoce manifesta na infância rural, onde o jovem Pedro Jacob Fedalto, nascido numa fazenda da Colônia Antônio Rebouças em Campo Largo, dedicava seu tempo ao estudo e à ajuda aos seus pais, além de conduzir sermões para vizinhos reunidos no paiol. Essa iniciativa foi notada por um professor de catequese, Luiz Lorenzi, que o recomendou para ingresso no seminário aos 13 anos – uma indicação que mudaria irreversivelmente seu destino.
O arcebispo emérito demonstrou discernimento e perseverança ao acompanhar a Igreja Católica durante as transformações impostas pelo Concílio Vaticano II na década de 60, atuando como secretário pessoal do então Arcee bispo Dom Manuel da Silveira D’Elboux, chanceler da Cúria Arquidiocesana, vigário-geral e bispo auxiliar. A sua atuação durou mais de três décadas (1971 a 2003), período em que ele liderou o crescimento exponencial da Igreja na cidade, criando onze novas pastorais, expandindo para sete4 paróquias nos bairros urbanos e promovendo missões populares – um esforço notável demonstrando sua profunda identificação com suas responsabilidades.
A escolha de Dom Pedro Fedalto como arcebispo foi impulsionada por seu conhecimento profundo da Arquidiocese local; uma qualidade que pesou fortemente na decisão do Papa Paulo VI, em 1972, e pelo apoio incondicional do então Arcee bispo Dom Manuel da Silveira D’Elboux. A sua gestão se tornou um exemplo de equilíbrio entre a proximidade humana com as comunidades locais e rigorosa capacidade administrativa – uma combinação que ele utilizou para multiplicar o acesso das pessoas à vida religiosa, buscando ativamente entender o crescimento de Curitiba para determinar onde novas paróquias seriam necessárias.
O legado do arcebispo emérito é celebrado por figuras importantes da história local como Rafael Greca (PSD), ex-prefeito e historiador que ressalta a importância das intervenções pontuais no governo, inclusive na venda da Copel durante o mandato de Jaime Lerner – um exemplo notável de sua postura equilibrada. Além disso, Dom Pedro Fedalto teve papel fundamental na visita do Papa João Paulo II a Curitiba em 1980, liderando uma equipe que convenceu o episcopado brasileiro a trazer Sua Santidade à mais distante província do Brasil com vocação europeia: o Paraná – um testemunho singular de sua dedicação e influência no cenário religioso.









