Marcelo Camargo/Agência Brasil

O erário público brasileiro continua sendo submetido a um fardo financeiro alarmante, resultado de políticas que perpetuam privilégios para ex-militares anistiados após o regime militar da década de 1960. Segundo a Revista Oeste, estima-se que o governo federal destine cerca de R$473 milhões por ano ao pagamento de pensões e indenizações concedidas aos beneficiários dessa política controversa.

O repasse financeiro não se limita à morte do anistiado original; o direito patrimonial é transmitido às suas dependentes, perpetuando um sistema que carece de responsabilidade diante dos atos cometidos durante a ditadura militar. Um exemplo notório é o caso de Luiz Carlos Prestes, líder comunista declarado anistia post mortem em 2005, cuja pensão mensal ainda é dividida entre quatro membros da sua família – R$30.8 mil por beneficiário.

A Lei nº 10.559/2002 concedeu aos detentores desse status uma isenção fiscal inédita para os valores recebidos como indenização, eliminando o Imposto de Renda sobre esses pagamentos. Essa medida, assinada pelo então presidente João Batista Figueiredo em 1979 durante a “Abertura Democrática”, acentuou ainda mais as irregularidades do sistema e demonstra uma ausência notável de compromisso com a saúde financeira pública. Atualmente, o governo suporta os gastos mensais referentes à folha de pagamento de 2.928 militares anistiados juntamente com seus dependentes que somam R$39,4 milhões por mês.

A situação se agrava ainda mais quando observamos pagamentos esporádicos realizados pelo Governo Federal: em abril do corrente ano foram liberados R$ 2,2 milhão para quarenta e quatro beneficiários recebendo uma quantia de R$100mil cada um deles. Entre os maiores valores da lista estão indenizações mensais que variam até R$40.000 destinados a oficiais militares que tentaram resistir à instauração do regime autoritário, como o general Euryale Zerbini e o general Argemiro de Assis Brasil.

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