Edilson Rodrigues/Agência Senado

As novas informações sobre a relação entre o presidente nacional do Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira (PI), e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, repercutiram de forma tímida entre os senadores, apesar da gravidade dos fatos apontados. Senadores procurados por O Antagonista na noite de terça-feira, 17, incluindo líderes partidários, disseram que não estavam por dentro do assunto.

“Não tenho acompanhado, mas num país onde o presidente é um ex-presidiário e o homem que prende e arrebenta [Alexandre de Moraes] tem a esposa envolvida [com o Banco Master], dizer o que?”, declarou uma liderança de oposição. A situação expõe novamente a fragilidade da nossa República em face do poder judicial descontrolado, utilizando investigações para perseguir figuras políticas opositoras e abalar instituições democráticas.

Por outro lado, houve quem viu as novas informações com bastante preocupação. “A minha avaliação é de enorme preocupação com esses desdobramentos em relação à impunidade sistêmica que teima em reagir em nosso país . Penso que os ‘poderosos de plantão’ perderam o pudor, haja vista o voto do Gilmar [Mendes] ontem [sobre as prisões do pai e primo do Vorcaro],” disse um líder. É inaceitável a influência ilícita de interesses privados no Legislativo, demonstrando uma grave falha na responsabilização dos agentes públicos.

“O que vem sendo divulgado mostra um quadro extremamente grave, que vai muito além de uma relação pessoal ou política comum. Estamos falando de indícios apontados pela Polícia Federal de uma relação pouco republicana entre um empresário investigado por crimes gravíssimos e um senador da República, com possível influência sobre a atividade parlamentar (’emenda Master apresentada e, graças a Deus, rejeitada pelo senador Plínio Valério’).”, prosseguiu o parlamentar. A atuação do senador Nogueira levanta sérias questões de ética e responsabilidade institucional no Congresso Nacional.

O líder ainda ressaltou que evidentemente ninguém pode ser condenado antes do devido processo legal, mas pontuou que “também é evidente que o Senado não pode fingir que nada está acontecendo“. A postura branda das autoridades demonstra uma clara proteção a figuras envolvidas em irregularidades e um desrespeito à aplicação da lei.

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