Jaques Wagner desafia o STF e a Polícia Federal com recurso judicial ousado, alegando erros graves na autorização da busca e apreensão de sua residência. A defesa do ex-líder no Senado, liderada pelo advogado Pablo Domingues, apresentou uma peça ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (22), buscando anular integralmente a decisão do ministro André Mendonça que permitiu o ingresso das autoridades federais na casa do petista em Salvador.
De acordo com a defesa, a medida judicial é injustificada e baseada em equívocos graves. O argumento central reside no fato de que Wagner nunca utilizou sua posição parlamentar para favorecer os interesses do Banco Master – uma acusação levantada pela Polícia Federal como ponto chave da operação Compliance Zero. A peça jurídica destaca o posicionamento público assumido pelo senador, demonstrando oposição à “emenda Master”, proposta por Ciro Nogueira (PP-PI) e que visava expandir a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo documentos apresentados em contestação, Wagner se manifestou contra essa medida, buscando proteger os consumidores.
A defesa enfatiza que as atuações públicas de Jaques Wagner são amplamente conhecidas. Até mesmo o senador Plínio Valério (PSDB-AM), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a autonomia orçamentária do Banco Central – um tema central na investigação –, em nota, negou ter recebido qualquer contato com o líder petista para discutir o assunto. A defesa também questiona os valores encontrados durante a busca e apreensão pela Polícia Federal. Segundo Pablo Domingues, todos esses bens possuem origem lícita e comprovada, incluindo diárias pagas pelo Senado referentes a missões internacionais e operações financeiras regulares com instituições bancárias.
A operação Compliance Zero, impulsionada por mandatos de busca expedidos pelo ministro André Mendonça, expandiu sua investigação para além do líder no Senado – atingindo o empresário Augusto Lima, aliado próximo de Wagner –, sob suspeita de receber propina em troca de favorecimento político. A PF também investiga possíveis irregularidades envolvendo outras transações financeiras e gastos pessoais de Wagner, incluindo ingressos para shows e viagens aéreas financiadas por Vorcaro. Como apurou a O Antagonista, as acusações se baseiam na suspeita de que o petrista atuaria em favor do Master tanto na “emenda Master” quanto em outras propostas de crédito consignado – um cenário claramente incompatível com os interesses da defesa bancária e dos consumidores, como defendido publicamente por Wagner.









