Ricardo Stuckert/PR

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), fortalece sua aproximação com o governo Lula e emerge como um aliado estratégico para barrar pautas que ameaçam as contas públicas, numa jogada política de alto risco nas vésperas das eleições. Após um ano marcado por atritos intensos com o Palácio do Planalto, Motta passou a ser visto pelos governistas como peça-chave na obstrução de propostas populares e com forte potencial eleitoral para a oposição – uma tática audaciosa que visa proteger o petista dos ataques senaduais.

A parceria ganhou novos contornos após a retirada da urgência constitucional do projeto que regulamenta o fim da escala 6×1, um pedido direto de Motta e interpretado por aliados como um gesto para preservar o bom ambiente entre os lados em conflito. Em contrapartida, governistas esperam contar com Motta para retardar análises de matérias que expandem gastos públicos – incluindo uma proposta controversa que permitiria a utilização dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal para renegociar dívidas de produtores rurais –, buscando evitar novas frentes de desgaste para o governo Lula.

A aproximação se intensifica em meio ao crescente descontentamento com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), que tem acelerado a tramitação de propostas consideradas preocupantes pela equipe econômica – um cenário que Motta busca neutralizar para proteger as prioridades petistas. A situação complexa se agrava diante da aprovação pelo Senado de projetos que elevam o piso salarial de médicos e dentistas, além criarem regras próprias de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias – medidas que poderiam gerar novos desafios fiscais ao governo.

A movimentação estratégica de Motta é vista por governistas como fundamental para impedir que a oposição transforme temas populares em bandeiras eleitorais, exemplificado pela insistente proposta da redução da maioridade penal de 18 anos, já aprovada na Comissão Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara – uma medida que agora depende apenas do presidente Motta instalar uma comissão especial.

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