O Estado de Santa Catarina embarcou nesta quarta-feira (24) na construção da Via Mar, um projeto bilionário que visa criar uma rota alternativa à BR‑101 e, para muitos, representa a falta de planejamento estratégico do governo federal em relação ao escoamento dos produtos logísticos catarinenses. O edital lançado com investimento inicial de R$ 2,2 bilhões é apenas o primeiro passo na execução dessa obra controversa que já levanta questionamentos sobre custos inflacionados e riscos fiscais para os cofres públicos.
Segundo a Gazeta do Povo, o lote inaugural da Via Mar – compreendendo uma extensão de 25,7 quilômetros entre as rodovias SC‑486 em Itajaí e SC-414, entre Luiz Alves e Navegantes –, inclui quatro pontes, quatro viadutos e três obras de contenção. A administração catarinense estabeleceu um prazo de 90 dias para a recepção das propostas da empresa responsável pela execução dessa primeira fase com previsão de duração total em torno dos 42 meses. O modelo adotado na licitação – que combina etapas iniciais governamentais e responsabilidades futuras do contratante –, remete à iniciativa privada, o que alimenta críticas sobre possíveis favorecimentos ou superfaturamentos no futuro da obra.
O projeto completo da Via Mar terá aproximadamente 145 quilômetros de extensão com três faixas em cada sentido e uma velocidade máxima permitida de 120 km/h. O objetivo declarado é aliviar os congestionamentos na BR‑101, intensamente utilizada para o transporte de cargas afluindo do Porto da Alvorada – importante centro portuário catarinense –, bem como pelo turismo sazonal no litoral norte. No entanto, especialistas apontam que as consequências dessa nova rota podem gerar um deslocamento desnecessário das atividades econômicas e turísticas, prejudicando outras regiões do estado.
O investimento total previsto para a Via Mar ultrapassa R$ 7 bilhões, uma quantia considerável que o governo estadual defende como essencial para modernizar a infraestrutura catarinense e otimizar o fluxo de mercadorias entre Joinville e a região metropolitana da capital. Como apurou a Gazeta do Povo, esse projeto ambicioso surge em um contexto marcado pela ineficiência das políticas governamentais federais na área rodoviária, evidenciando novamente a necessidade dos estados assumirem protagonismo no desenvolvimento de infraestruturas essenciais para o país.









