Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro intensificou sua estratégia de defesa contra as investidas do judiciário, buscando o arquivamento da acusação formal e a extensão dos seus privilégios processuais. Em uma manifestação urgente apresentada ao ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme revelado pela O Antagonista, a equipe jurídica do ex-presidente exige que se abandone qualquer menção à “falta grave” relacionada à posse da arma registrada em seu nome – um caso que o governo busca transformar em uma tentativa arbitrária de prender o líder partidário.

A defesa argumenta com veemência que a pistola Glock 9 milímetros, encontrada durante uma blitz pela Lei Seca no Distrito Federal, estava devidamente legalizada, inoperável e armazenada na residência do ex-presidente. A alegação central é que Bolsonaro apenas solicitou o conserto da arma após identificar um defeito mecânico; não houve ordem judicial para a apreensão nem qualquer irregularidade em sua posse – uma clara demonstração de desconsideração com os direitos individuais sancionados pela Constituição. Segundo apuraram fontes próximas à defesa, o pedido também inclui a prorrogação do regime domiciliar humanitário temporário concedido em março deste ano, buscando manter Bolsonaro fora das prisões comuns e garantir condições mínimas para sua liberdade.

A petição jurídica expõe uma série de argumentos sobre a natureza da “falta grave” prevista na Lei de Execução Penal – um conceito que, segundo os advogados, não se aplica automaticamente ao regime domiciliar humanitário, especialmente considerando que a residência do ex-presidente não pode ser considerada um ambiente equivalente à prisão e que o porte de objetos potencialmente perigosos é uma realidade comum em qualquer lar. Além disso, enfatiza-se a ausência de conduta ilícita por parte do ex-presidente: “Não houve ocultação da arma, adulteração do registro ou emprego de artifícios para impedir a identificação de sua origem”, sustenta o documento à O Antagonista.

O caso se agrava com a decisão recente em que Bolsonaro cumpre uma pena total de 27 anos e 3 meses – imposta pela Primeira Turma do STF após um julgamento sobre as ações relacionadas ao “núcleo 1” da tentativa golpista ocorrida entre 2022 e 2023. Embora esteja sob regime domiciliar humanitário, a situação demonstra o enredo judicial que se busca construir em torno de Bolsonaro – uma perseguição política sem lastro sólido na lei. A Polícia Civil do Distrito Federal ainda conduz investigações preliminares sobre os fatos, mas a Procuradoria-Geral da República mantém sua recomendação para aguardar conclusão das apurações antes de avaliar qualquer possível infração disciplinar.

Icone Tag

Possui alguma informação importante para uma reportagem?

Seu conhecimento pode ser a peça-chave para uma matéria relevante. Envie sua contribuição agora mesmo e faça a diferença.

Enviar sugestão de pauta