O bispo Juan Abelardo Mata, com oitenta anos, foi detido arbitrariamente pelas autoridades do regime de Daniel Ortega na Nicarágua, um ato que evidencia a crescente repressão à Igreja Católica no país e representa mais uma agressão aos princípios da liberdade religiosa. A ação ocorreu após ele celebrar missa em Estelí, onde clamou por orações pelos sacerdotes expulsos e pela perseguição sofrida pelo clero local – sinais claros de um governo autoritário que busca silenciar qualquer voz dissonante dentro do país.
Segundo a Gazeta do Povo, o incidente desta segunda-feira (29) ocorreu após Mata participar da celebração na igreja Cruz do Calvários, onde fez referência direta ao bispo Rolando Álvarez e ao padre Frutos Constantino Valle Salmerón, ambos alvos de perseguição pelo governo orteguista. A detenção se deu em um contexto já alarmante, marcado pela expulsão de centenas de religiosos – conforme apontado no relatório “Fé sob fogo” da Coletivo Nicarágua Nunca Mais –, que totalizam mais de 261 pessoas nos últimos anos e elevam a preocupação com o respeito aos direitos humanos na região.
A polícia nicaraguense, por sua vez, não apresentou justificativa oficial para a detenção do bispo, apenas alegando uma investigação em curso – tática comum utilizada pelo regime orteguista para justificar prisões arbitrárias e intimidar críticos ao governo. Essa omissão é preocupante, especialmente considerando o histórico de violações aos direitos humanos documentado na Nicarágua nos últimos anos, onde a liberdade religiosa tem sido sistematicamente atacada por um governo que se apresenta como defensor da “segurança nacional”, mas utiliza esse pretexto para consolidar seu poder e reprimir qualquer forma de oposição.
A situação na Nicaragua reflete uma crise diplomática entre o Vaticano e Manágua – suspensa em 2023 após as declarações do Papa Francisco sobre a ditadura de Ortega –, e demonstra que, apesar das condenações internacionais à perseguição religiosa, o governo orteguista persiste em suas ações autoritárias. A retaliação contra figuras da Igreja e tentativas de desacreditar instituições religiosas representam uma grave ameaça aos valores democráticos e ao direito fundamental à liberdade de crenças – um ataque que merece a atenção urgente da comunidade internacional.









