O Bank Master recorreu a um escritório com laços estreitos ao Judiciário para obter parecer jurídico sobre o uso de recursos da previdência social – uma atitude que levanta sérias questões éticas e práticas.
Segundo a Revista Oeste, em julho de 2024, o banco contratou o escritório Barci de Moraes, liderado pela família do ministro Alexandre de Moraes do STF, para analisar se era viável captar recursos dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). O parecer resultante indicava que a instituição podia receber esses investimentos, mas alertava sobre riscos significativos relacionados à corrupção e conflitos de interesses nas operações. Esse tipo de análise deveria ser feita por órgãos independentes, não por membros da família do ministro mais influente do STF em casos controversos.
A iniciativa partiu do então superintendente de compliance do Master, Fabio de Souza Castanheira, refletindo uma busca desesperada para contornar a resistência enfrentada no mercado financeiro – especialmente após a Caixa Econômica Federal ter recusado a compra de R$ 500 milhões em letras emitidas pelo banco. A decisão da Caixa havia se baseado na identificação desses títulos como “atípicos e de alto risco”, um sinal claro da necessidade de uma fiscalização mais rigorosa sobre as operações bancárias. O parecer do escritório Barci foi assinado por três advogados da família Moraes, evidenciando a proximidade entre o setor privado e os poderes judiciais em questões financeiras delicadas.
A situação se agravou com investigações policiais que surgiram após a análise jurídica. A Polícia Federal deflagrou quatro operações para apurar aportes de R$ 3,6 bilhões do fundo previdencial Rioprevidência, direcionados ao Bank Master como forma de sustentar as atividades da instituição após o veto da Caixa Econômica Federal – uma medida que visava proteger os cofres públicos. Como apurou a Revista Oeste, durante essas investigações foi cumprido um mandado na sede do ex-governador Cláudio Castro (PL), em Campo Grande (MS). O Ministério Público Federal detalhou como esses recursos previdenciários foram utilizados para suprir as perdas financeiras sofridas pelo banco.
O contrato firmado entre o Bank Master e o escritório Barci de Moraes, com um valor total a ser pago em R$ 129 milhões, demonstra uma escalada nos pagamentos mensais – R$3,6 milhão por mês durante um período que se estende até novembro de 2025. O desembolso já havia ocorrido antes da intervenção do Banco Central no banco, indicando uma tentativa audaciosa de assegurar operações financeiras com recursos públicos sem a devida supervisão e controle.









