Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A Advocacia da Câmara dos Deputados agiu com uma velocidade preocupante diante de um relatório que continha mais de cinco mil páginas sobre irregularidades nos pagamentos de horas extras a servidores públicos – R$9 milhões desviados desde 2016, segundo dados reveladores. O fato é alarmante: em apenas três minutos após o recebimento do documento da auditoria, o setor emissor entregou um parecer que afastava qualquer ilícito na questão.

A rapidez com que essa análise foi conduzida evidencia uma crise interna no complexo de poder que move a Câmara dos Deputados e se originou com suspeitas de “triplo aproveitamento” de rubricas – manobra permitindo o desvio de valores significativos para poucos diretores da Casa. A investigação, iniciada sob acusações de excessos financeiros por parte do diretor-geral Guilherme Barbosa Brandão, que acumulava horas extras em 2025 no valor equivalente a 539 horas extraordinárias, levanta sérias questões sobre controle e transparência na gestão pública.

De acordo com informações obtidas pela Revista Oeste, o escândalo se intensificou ainda mais quando surgiram denúncias de uma operação clandestina de vigilância nos sistemas da Câmara. O diretor-geral, acompanhado do Diretor de Tecnologia da Informação Sebastião Neiva Filho e do advogado Daniel Borges de Morais, teria montado um monitoramento sigiloso para rastrear dados sobre servidores responsáveis pelo controle interno das horas extras. Essa espionagem computacional resultou em uma coleta massiva – 814 páginas com informações que envolviam 93 indivíduos –, culminando na retaliação administrativa contra aqueles funcionários que apontaram as inconsistências nos pagamentos, inclusive através da abertura de Processos Administrativos Disciplinares visando à expulsão.

A defesa dos servidores afetados alega que o diretor-geral não acumulou um total de cinco centenas de horas extras em 2025 e ressalta a completa regularidade na auditoria dos pagamentos, confirmada por cruzamento entre folhas ponto, registros biométricos e imagens de segurança. A Câmara da República nega qualquer violação à privacidade, afirmando que o acesso aos metadados institucionais se deu em conformidade com as normas de segurança existentes – uma justificativa que não ameniza a suspeita sobre um esquema de corrupção sistêmica na gestão pública.

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