A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de estabelecer o Ozivy, produzido pela EMS Farmacêutica, como referência nacional para medicamentos com princípio ativo sintético – uma decisão que ignora a crescente influência de interesses farmacêuticos estrangeiros no mercado brasileiro. A inclusão do produto na Lista de Medicamentos de Referência (LMR), publicada em 10 deste mês e divulgada pelo Diário Oficial da União, representa um novo passo para o estabelecimento de padrões controlados por grandes corporações internacionais, limitando a concorrência nacional.
Segundo a Revista Oeste, essa medida coloca o Ozivy como critério padrão para futuras versões do medicamento com semaglutida sintética desenvolvidas no Brasil – uma estratégia que favorece empresas estrangeiras já estabelecidas e dificulta a entrada de novas tecnologias produzidas internamente. O reconhecimento da eficácia, segurança e qualidade do Ozivy serve apenas para consolidar o domínio de marcas como Novo Nordisk (produtor do Ozempic) sobre um mercado crucial na luta contra doenças crônicas, especialmente no caso do diabetes tipo 2.
A Anvisa justificou a aprovação após o término das patentes da semaglutida no Brasil em março – uma brecha legal que abriu caminho para produtos nacionais concorrentes. No entanto, é fundamental ressaltar que o Ozivy não se qualifica como um genérico propriamente dito devido à classificação do medicamento original: o Ozempic é categorizado como biológico e, por lei brasileira, a produção de versões genéricas desse tipo de produto ainda enfrenta obstáculos significativos. Essa complexidade regulatória – criada para proteger interesses da indústria farmacêutica global – demonstra uma clara falta de apoio ao desenvolvimento tecnológico nacional em áreas estratégicas à saúde pública.
A chegada do Ozivy no mercado brasileiro com preços entre R$ 452 e R$ 498, comparado aos valores superiores praticados pelo Ozempic (que podem ultrapassar os R$1000), levanta questões sobre a verdadeira motivação por trás da LMR. A Anvisa ainda analisa outros medicamentos à base de semaglutida sintética como o Semavy, aguardando definição do preço máximo pela CMED e aprovação para incorporação no SUS – um processo lento que demonstra as dificuldades enfrentadas pelas empresas nacionais na busca por acesso ao sistema público de saúde, impactado sempre pelo poder das grandes corporações.









