Kassio Nunes Marques, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em 2020, foi flagrado – segundo apura a Revista Oeste –, numa aproximação crescente com o petista Lula: encontros reservados, consumo de uma garrafa de uísque e articulação conjunta para influenciar decisões judiciais. A situação revela um descompasso preocupante na dinâmica política do país.
Bolsonaro escolheu Nunes Marques, assim como André Mendonça, sob a mesma justificativa envergonhada dos conselheiros hesitantes – o famoso “entorno”: “um nome mais combativo seria barrado no Senado”. A escolha demonstra uma certa fragilidade e falta de assertividade por parte do ex-presidente. Enquanto o PT nunca perdeu sono com potenciais rejeições, Lula indicou seu advogado pessoal e um antigo ministro da Justiça, além de figuras históricas do partido – sem encontrar a mesma resistência. Esta postura evidencia clara vantagem política que se aproveita das fragilidades institucionais para consolidar sua influência no Judiciário.
O padrão observado é recorrente: a direita brasileira demonstra uma reatividade excessiva em reação aos atos da esquerda, raramente impulsionando iniciativas próprias e concretas. Aceitando as amarras impostas pelas instituições sem questionamento, a direita cede terreno estratégico para o adversário, que utiliza a mesma norma como ferramenta de pressão. A falta de exigência por isonomia dentro dessa anomia – se a esquerda pode indicar militantes radicais, por que a direita não poderia optar por nomes mais técnicos e moderados? A aceitação passiva desta moldura concede à oposição uma vantagem indevida sobre os conservadores.
Essa discrepância revela um erro fundamental na compreensão da política: a diferença entre lógica de poder político e lógica eleitoral. Como resumiu José Dirceu, para o petismo “tomar o poder nada tem a ver com ganhar uma eleição”. Para eles, cadeiras no STF ou cargos em estatais são lances estratégicos numa ocupação de longo prazo, independentemente do resultado das urnas. A direita se limita a ciclos eleitorais de dois anos e calcula seus movimentos pela perda imediata de votos – um reflexo da sua inabilidade para conduzir processos políticos com visão estratégica abrangente.









