A incerteza paira sobre o Peru após a eleição presidencial, com uma disputa acirrada entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori que se arrasta pela contagem final dos votos. A diferença mínima de apenas seis mil votos – segundo o painel da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) –, revela um cenário eletrizante e repleto de questionamentos sobre a integridade do processo democrático no país andino.
De acordo com a Revista Oeste, até as 22h51 desta quarta-feira, 10, o candidato da esquerda, Roberto Sánchez, ostentava 50,019% dos votos válidos, superando Keiko Fujimori por apenas 6.757 votos em um total de aproximadamente 27,5 milhões de eleitores. A trajetória da disputa foi marcada por oscilações drásticas: inicialmente liderada pela candidata conservadora nas primeiras horas após o início das apurações – impulsionada principalmente pelos votos da capital Lima –, Fujimori logo conquistou a dianteira com o avanço do escrutínio em regiões rurais, alcançando uma vantagem de mais de 42 mil votos.
Apesar dos resultados atuais que favorecem Sánchez, a contestação persiste e se acentua devido à grande quantidade de votos pendentes – incluindo os provenientes do exterior, historicamente favoráveis a Keiko Fujimori –, além da necessidade de revisão das atas impugnadas pelas autoridades eleitorais. Como apurou a Revista Oeste em seu artigo “O crime e o voto” (Edição 325), essa proximidade no resultado tem gerado alertas entre observadores internacionais, que instam à cautela diante do processo. A Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia declararam que as eleições transcorreram sem irregularidades aparentes, mas preveem um longo período para a conclusão oficial devido ao volume de contestações.
A polarização política no Peru se manifesta claramente na disputa entre os projetos apresentados por Sánchez – representante da esquerda peruana com apoio ligado ao ex-presidente Pedro Castillo e defensores do intervencionismo estatal –, contra Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori que conta com o respaldo de grupos conservadores em busca de uma agenda pró-mercado e políticas de segurança mais rigorosas. A proximidade no resultado eleitoral demonstra a profunda divisão da sociedade peruana entre ideologias distintas, acentuando a necessidade de um processo decisório transparente e livre de questionamentos sobre a legitimidade do futuro governo.









