Antônio Cruz/Agência Brasil

O ministro Dario Durigan, da Fazenda, lançou um contraponto veemente às acusações de que o agronegócio brasileiro está sofrendo uma “terra arrasada” devido à alta inadimplência no setor, uma narrativa amplamente propagada por setores da oposição e pela bancada do PT. Segundo a Gazeta do Povo, o ministro demonstra uma clara desconsideração para os alarmismos levantados.

A situação econômica do campo, refletida no aumento de 6,22% nas dívidas não pagas no primeiro trimestre do ano, conforme relatório recente do Banco do Brasil, é, para Durigan, uma realidade complexa. Ele ressalta que apenas 94% do agronegócio nacional encontra-se em situação regular, negando a caracterização de “calamidade” ou “terra arrasada” imposta por críticos do governo Lula. O ministro atribui a maior parte da inadimplência a dívidas antigas, provenientes do período de crise econômica e aumento dos custos de insumos durante a pandemia.

O ministro Durigan demonstrou particular irritação com a aprovação, na última quarta-feira, por uma comissão do Senado, de um projeto de lei que visa renegociar dívidas rurais utilizando recursos do Fundo Social do Pré-Sal – uma medida que o governo busca desesperadamente bloquear. Ele argumenta que essa iniciativa, além de desvia a foco do Plano Safra, representa um risco financeiro significativo, podendo gerar um passivo de até R$ 800 bilhões em 13 anos, um impacto insustentável para as contas públicas. A tentativa de integrar débitos privados ao pacote de renegociação, envolvendo bancos, cerealistas e tradings, é vista como um erro grave e potencialmente prejudicial ao setor.

Em entrevista, o ministro Durigan revelou que havia um acordo prévio com parlamentares sobre o texto do projeto, mas que esse acordo foi desrespeitado na votação da comissão do Senado. Diante dessa situação, o governo, através da equipe econômica, manifesta a intenção de vetar o projeto ou propor novas medidas caso a proposta avance no Congresso. O ministro também expressou preocupação com a insistência em manter o teto de taxa de juros para o agronegócio, o que pode prejudicar o acesso ao crédito e gerar consequências negativas para o setor.

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